Incêndios podem comprometer produtividade do solo por até 10 anos em Mato Grosso
Incêndios podem comprometer produtividade do solo por até 10 anos em Mato Grosso.
Ronan de Sá - Semana 7
Os incêndios em áreas agrícolas podem provocar prejuízos que vão muito além da perda imediata das lavouras. Em Mato Grosso, especialistas alertam que uma área atingida pelo fogo pode levar até dez anos para recuperar os níveis de produtividade registrados antes das chamas.
O impacto ocorre porque as altas temperaturas destroem parte da matéria orgânica e alteram características físicas, químicas e biológicas do solo. A matéria orgânica é fundamental para a absorção de água e nutrientes e, quando comprometida, exige do produtor novos investimentos para recuperar a estrutura produtiva da propriedade.
As informações são da jornalista Viviane Petroli, do Canal Rural Mato Grosso, com informações da Aprosoja Mato Grosso. Segundo a publicação, o coronel da reserva do Corpo de Bombeiros Militar, Aluísio Metelo Junior, explica que a perda de produtividade é um dos prejuízos mais difíceis de mensurar após a passagem do fogo.
De acordo com Metelo Junior, o solo pode levar cerca de cinco anos para atingir novamente um nível adequado de correção. Mesmo depois desse período, seriam necessários outros cinco anos para que a produtividade por hectare retorne ao patamar anterior, podendo resultar em uma década de prejuízos para o produtor.
O alerta ganha importância durante o período de estiagem. Desde 1º de julho, está proibido o uso do fogo para limpeza e manejo de áreas rurais nos biomas Amazônia, Cerrado e Pantanal em Mato Grosso. A restrição segue até 30 de novembro de 2026 e pode ser prorrogada. Nas áreas urbanas, a utilização do fogo permanece proibida durante todo o ano.
Dados do Programa BDQueimadas, do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), apontam que Mato Grosso acumulava 3.859 focos de calor em 2026 até a publicação dos dados. Junho registrou o maior número, com 1.440 ocorrências, seguido por julho, com 746 focos.
A prevenção, segundo especialistas, deve começar antes do período mais crítico. Entre as medidas estão a orientação de trabalhadores e familiares, cuidados com áreas produtivas e de preservação e a manutenção de equipamentos capazes de auxiliar no combate aos primeiros focos.
O vice-presidente e coordenador de Sustentabilidade da Aprosoja Mato Grosso, Luiz Pedro Bier, destaca ainda a importância da mobilização dos próprios produtores. Em áreas rurais, é comum que agricultores auxiliem propriedades vizinhas no combate às chamas, principalmente porque o fogo pode avançar rapidamente sobre lavouras, máquinas, instalações e áreas preservadas.
Além das perdas econômicas, os incêndios representam riscos à segurança das famílias que vivem no campo e ao patrimônio ambiental existente dentro das propriedades. Por isso, campanhas educativas e ações preventivas são consideradas fundamentais para reduzir as ocorrências e evitar prejuízos que podem permanecer por várias safras.

















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