Juiz dá 48 horas para prefeito de Cuiabá indicar vereadores ligados ao Comando Vermelho

Brunini tem 48 horas para esclarecer suposta influência do Comando Vermelho sobre vereadores.

Juiz dá 48 horas para prefeito de Cuiabá indicar vereadores ligados ao Comando Vermelho
Foto: VG Notícias

Lucione Nazareth/VGN

 

 

O juiz da 10ª Vara Criminal de Cuiabá, Moacir Rogério Tortato, determinou que o prefeito Abilio Brunini (PL) preste esclarecimentos em 48 horas sobre declarações feitas quando ainda era deputado federal. Segundo a decisão, Brunini teria se referido à atuação do Comando Vermelho na capital, indicando suposta interferência nas eleições para vereadores e para a presidência da Câmara Municipal. A decisão é da última terça-feira (27).

 

“À vista do exposto, notifique-se o interpelado para que, no prazo de 48 (quarenta e oito) horas, preste as explicações requeridas”, diz a decisão.

 

A medida ocorre após o Supremo Tribunal Federal (STF) reconhecer que o caso não competia mais à Corte, já que Brunini deixou o mandato parlamentar e passou a exercer o cargo de prefeito. Com isso, o processo foi remetido ao Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT) e distribuído a uma das varas de Cuiabá.

 

A interpelação foi ajuizada pelo vereador Jeferson Siqueira (PSD) e tem caráter cautelar, buscando esclarecer as declarações antes de eventual ação penal por crimes contra a honra, sem análise do mérito.

 

No pedido, o vereador questiona o prefeito sobre informações que possui sobre vereadores envolvidos com a organização criminosa; nomes dos vereadores supostamente envolvidos; provas da compra de votos para a Mesa Diretora; fundamentação das acusações feitas contra os parlamentares; evidências de eventual acordo do interpelante com a organização criminosa; e documentos ou outras provas das afirmações feitas.

 

O vereador solicita que, caso as respostas sejam insatisfatórias, o interpelado seja processado judicialmente pelos crimes de calúnia, injúria e difamação.

 

Contexto das declarações

 

Em 2024, durante suas manifestações, Brunini afirmou que o Comando Vermelho teria atuado para garantir a eleição de vereadores na Capital e interferido na disputa pela Presidência da Câmara Municipal, incluindo a suposta liberação de verbas para alguns parlamentares.

Segundo o documento, Brunini fez declarações em diferentes datas:

06/11/2024: afirmando que o Comando Vermelho estaria de olho na eleição da Mesa Diretora do biênio 2025-2026;

07/11/2024: mencionou suposta oferta de R$ 200 mil por voto a vereadores da chapa de oposição, sem citar diretamente o interpelante, mas sugerindo que ele seria apoiado pelo grupo;

11/11/2024: reforçou insinuações sobre a influência da organização na eleição da Mesa e afirmou não se relacionar com o interpelante, que representaria interesses contrários.

 

As declarações de Brunini foram registradas em sites de notícias e anexadas ao processo como prova.