Justiça Eleitoral amplia transporte para indígenas e define 15 ônibus para comunidades Xavante em Campinápolis (MT)
Rotas foram planejadas com participação de representantes indígenas para atender eleitorado de regiões de difícil acesso nas Eleições 2026.
Agência da Notícia com Assessoria
A Justiça Eleitoral de Mato Grosso está reforçando a estrutura de transporte para garantir o acesso de eleitores indígenas aos locais de votação nas Eleições Gerais de 2026. Em Campinápolis, município onde mais de 30% do eleitorado é indígena, foram definidas 15 rotas de ônibus para atender comunidades Xavante distribuídas por extensas áreas de reserva.
O diferencial do planejamento, segundo o Tribunal Regional Eleitoral de Mato Grosso (TRE-MT), foi a participação direta de representantes das comunidades indígenas na definição dos trajetos. A estratégia levou em consideração as características do território e os caminhos utilizados pelos próprios moradores para chegar aos locais de votação.
A medida busca oferecer mais segurança, conforto e eficiência ao transporte eleitoral, principalmente para pessoas que vivem em regiões distantes das seções eleitorais.
A presidente do TRE-MT, desembargadora Serly Marcondes Alves, afirmou que a participação dos povos indígenas é fundamental para adequar o serviço à realidade das comunidades.
“Mais do que uma questão logística, trata-se de um compromisso inegociável com a inclusão e a acessibilidade. A democracia só é plena quando todas as pessoas, independentemente de onde vivam ou das barreiras geográficas que enfrentem, têm garantido o seu direito fundamental ao voto com dignidade, conforto e respeito às suas especificidades.”
Rotas definidas com participação indígena
A coordenadora do Gabinete de Gestão Integrada (GGI) do TRE-MT, juíza Edna Coutinho, que atuou na articulação local, destacou que a construção das rotas em conjunto com representantes indígenas é um dos principais diferenciais da operação deste ano.
Segundo ela, a participação permite considerar as particularidades dos deslocamentos dentro das reservas e fortalece a articulação entre a Justiça Eleitoral e as comunidades indígenas.
O assunto começou a ser discutido durante uma reunião realizada no Cartório Eleitoral de Nova Xavantina, em 21 de setembro, e voltou a ser tratado em reunião virtual realizada na quinta-feira (24).
Cerca de 180 aldeias serão atendidas
Campinápolis possui aproximadamente 180 aldeias Xavante, distribuídas em duas grandes áreas de reserva: Parabubure e Chão Preto. Juntas, as áreas abrangem cerca de 237.188 hectares.
O município possui seis locais de votação instalados nas maiores e principais aldeias, que concentram grande parte do eleitorado indígena.
Diante da extensão territorial, o transporte é considerado essencial para garantir que os eleitores consigam chegar às seções eleitorais. Em eleições anteriores, parte dos deslocamentos era realizada em veículos abertos.
Para 2026, a Justiça Eleitoral buscou uma alternativa com veículos fechados, oferecendo melhores condições de segurança e comodidade durante o deslocamento.
Prefeituras e APAE entram na operação
De acordo com a juíza da 26ª Zona Eleitoral, Tabatha Tosetto, foram firmadas parcerias com as Prefeituras de Campinápolis e Nova Xavantina e com a Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais (APAE) de Nova Xavantina.
A articulação também contou com a participação do promotor da 26ª Zona Eleitoral, João Ribeiro da Mota, e da Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai).
“Além de proporcionar mais segurança e conforto, a iniciativa foi planejada a partir da escuta dos próprios representantes das comunidades indígenas, que contribuíram diretamente para a definição das rotas”, afirmou a magistrada.
15 ônibus serão disponibilizados
Ao todo, 15 ônibus serão utilizados no transporte dos eleitores indígenas durante as eleições.
10 ônibus serão cedidos pela Prefeitura de Campinápolis;
4 ônibus serão disponibilizados pela Prefeitura de Nova Xavantina;
1 ônibus será cedido pela APAE de Nova Xavantina.
Para a chefe da Unidade Técnica Local da Funai de Nova Xavantina, Cleciani Pedata Tserihite, a articulação entre a Justiça Eleitoral, representantes Xavante, Funai e a Secretaria de Assuntos Indígenas de Campinápolis poderá representar uma mudança importante para os eleitores da região.
Segundo ela, as dificuldades de deslocamento enfrentadas pelas comunidades indígenas durante o período eleitoral tornam a parceria especialmente relevante para garantir o acesso às urnas.
















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