Mulheres representam mais de 60% dos afastamentos por transtornos mentais no Brasil
Ansiedade, depressão e sobrecarga impulsionam alta nas licenças; espaços voltados ao autocuidado surgem como alternativa para fortalecer o bem-estar emocional.
Semana 7 com Assessoria
A saúde mental das mulheres tem se tornado motivo de preocupação no Brasil. Dados do Ministério da Previdência Social mostram que, em 2025, o país registrou mais de 546 mil afastamentos do trabalho por transtornos mentais, o maior número da série histórica. Desse total, mais de 60% das licenças foram concedidas a mulheres.
O crescimento dos casos está relacionado a diferentes fatores, entre eles a sobrecarga com o trabalho doméstico e o cuidado com a família, a desigualdade salarial, a violência, o assédio e as dificuldades enfrentadas por muitas mulheres para avançar profissionalmente.
Levantamento da organização Think Olga revela que 45% das brasileiras já receberam diagnóstico de ansiedade, depressão ou outro transtorno mental, enquanto seis em cada dez convivem diariamente com sintomas de ansiedade. Outro estudo, publicado neste ano pela revista Psico, da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS), aponta que 43,1% das mulheres brasileiras com 40 anos ou mais apresentam suspeita de Transtornos Mentais Comuns (TMC), grupo que engloba condições como ansiedade e depressão.
Especialistas apontam que boa parte desse adoecimento está ligada ao chamado "custo invisível do cuidado". No Brasil, as mulheres continuam assumindo a maior parte das responsabilidades relacionadas aos filhos, idosos e à organização da casa, muitas vezes acumulando essas tarefas com a vida profissional, o que aumenta os níveis de estresse e desgaste emocional.
Diante desse cenário, cresce a procura por iniciativas voltadas ao autocuidado e ao fortalecimento da saúde emocional. Em Cuiabá, mulheres têm encontrado na arteterapia uma alternativa para desacelerar a rotina e desenvolver o autoconhecimento.
A consultora de vendas Flávia Simone relata que passou a compreender melhor suas emoções após participar dos encontros realizados no Espaço 8.
"Antes do nosso encontro tivemos uma dinâmica em que precisávamos nos observar diante do espelho e identificar um sentimento. Para minha surpresa, eu não consegui. Me senti constrangida, envergonhada de olhar nos meus próprios olhos. Mas, na semana seguinte, percebi mudanças e consegui identificar o meu sentimento raiz", conta.
A cerimonialista e produtora de eventos Zilda Castanho também destaca os benefícios da experiência.
"Essa jornada do reencontro me trouxe leveza em um momento em que eu estava muito acelerada. Aos poucos fui criando uma conexão maior comigo mesma e reconhecendo uma parte que estava adormecida", afirma.
Idealizadora do Espaço 8, Isolda Risso avalia que muitas mulheres vivem sob uma pressão constante para atender a diferentes expectativas sociais.
"A cultura contemporânea criou a ideia de que uma mulher de sucesso precisa dar conta de tudo. Ao tentar corresponder a essa expectativa, muitas acabam se afastando de si mesmas e enfrentando ansiedade, culpa e exaustão. O verdadeiro sucesso talvez esteja em viver com equilíbrio, reconhecendo os próprios limites e permanecendo fiel à própria essência", destaca.
Além das oficinas de arteterapia, o Espaço 8 desenvolve atividades voltadas ao autoconhecimento por meio do método AMA, que reúne práticas para compreender emoções, fortalecer vínculos internos e promover mudanças no cotidiano das participantes.

















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