MPF investiga poupanças de pessoas escravizadas em MT na Caixa

Até o momento, foram localizados 158 cadernetas; MPF cobra reparação para herdeiros.

MPF investiga poupanças de pessoas escravizadas em MT na Caixa
Foto: Reprodução

Mídia News

 

O Ministério Público Federal (MPF) abriu um inquérito civil para investigar a descoberta de 158 cadernetas de poupança de pessoas escravizadas em Mato Grosso, encontradas na Caixa Econômica Federal.

Algumas dessas pessoas mantinham contas na então Caixa Econômica da Corte, hoje Caixa Econômica Federal, para juntar recursos na esperança de comprar a própria alforria ou a de parentes.

Antes da assinatura Lei Áurea pela princesa Isabel, em 1888, os depósitos e os saques só podiam ser feitos mediante autorização do senhor.

Depois da abolição, não houve ação do Estado nem do banco para informá-las de que o dinheiro poderia enfim ser sacado sem autorização dos antigos proprietários.

Segundo apuração do jornal Folha de S.Paulo, as dezenas de cadernetas foram localizadas em um levantamento realizado apenas no estado mato-grossense. Historiadores estimam que, nacionalmente, esse número seja muitas vezes maior.

Ainda de acordo com o jornal, um levantamento demográfico de 1872 apontou que a província de Mato Grosso possuía 60.417 habitantes, sendo 6.667 pessoas escravizadas.

A identificação das contas sem movimentação após 1888 pode levar a discussões sobre formas de reparação, inclusive indenizações.

Além do MPF e da Caixa, o Arquivo Nacional e o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) devem auxiliar na investigação.