Desafios da Produtividade no Brasil: Um Olhar para o Futuro Econômico
O Brasil enfrenta uma crise de produtividade que remete à década de 1950, com um sistema que desestimula o avanço e mantém a informalidade no mercado de trabalho. O governo precisa agir para reverter esse cenário e garantir um crescimento sustentável.
“Não assina minha carteira não.” Essa frase, frequentemente ouvida por empresários brasileiros, resume um entrave que o país enfrenta há décadas: um sistema onde a inércia parece mais segura do que o avanço. Com a recente conclusão das eleições, onde o presidente foi reconduzido e os governadores definidos, o novo governo, que assume em 2027, terá a urgente tarefa de revitalizar a produção no Brasil.
A produtividade, essencial para um crescimento sustentável, não é uma questão partidária. É a chave para que um país com o potencial do Brasil consiga gerar renda e proporcionar oportunidades a todos os cidadãos. Atualmente, a dívida bruta do governo geral alcançou 82,9% do PIB, totalizando R$ 11,1 trilhões, o maior nível desde a pandemia. Em comparação, no final de 2022, essa dívida era de 71,7%. As projeções indicam que a situação só tende a piorar, com a expectativa de que a dívida chegue a 90% do PIB até 2030.
Enquanto a dívida cresce, o Brasil enfrenta custos elevados com juros, que totalizam R$ 1,18 trilhão nos últimos 12 meses, representando 8,86% do PIB. Este valor é mais de quatro vezes o orçamento federal destinado à saúde. Embora as metas fiscais sejam cumpridas no papel, a realidade mostra um governo central deficitário desde 2023, com um déficit primário de R$ 94,9 bilhões de janeiro a agosto de 2026.
A carga tributária também atingiu um recorde, chegando a 32,4% do PIB em 2025, o que representa uma pressão sobre quem realmente produz. A solução para a dívida não pode ser apenas cortar gastos, mas sim aumentar a produção de forma significativa. O Brasil, atualmente, apresenta níveis de produtividade semelhantes aos de 1958, com crescimento médio de apenas 0,8% ao ano entre 1996 e 2025, segundo o Observatório da Produtividade da FGV Ibre.
O setor agropecuário é o único que tem mostrado algum progresso, enquanto a indústria enfrenta uma queda de produtividade de cerca de 23% entre 1995 e 2024. Os trabalhadores brasileiros geram, em média, apenas um quarto do que seus colegas americanos produzem em uma hora, devido à falta de investimento em tecnologia e equipamentos.
Com o fim do bônus demográfico e o desemprego em níveis historicamente baixos, a solução para o aumento da renda passa pela melhoria da produtividade do trabalho. O Brasil investe apenas 16,5% do PIB, bem abaixo dos 20% necessários para um crescimento sustentável, e mantém 37,4% de sua força de trabalho na informalidade.
A educação também é um fator crítico, com 73% dos estudantes brasileiros avaliados no Pisa ficando abaixo do nível básico em matemática. A baixa qualificação da mão de obra é um dos principais entraves para o desenvolvimento econômico. Além disso, empresários relatam dificuldades em registrar trabalhadores formalmente, refletindo a insegurança em relação à estabilidade financeira.
O governo reconhece que é preciso eliminar esse medo do trabalhador, mas as medidas implementadas até agora não são suficientes. A política social precisa ser repensada, funcionando como uma ponte para a formalização, e não como um destino fixo.
Por fim, a chegada da inteligência artificial traz novos desafios ao mercado de trabalho, podendo ameaçar empregos de forma gradual. É imprescindível que o Brasil encontre formas de adaptar sua força de trabalho a essas novas realidades.







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