Operação mira ex-prefeito por suspeita de fraude em licitações sobre contratos de R$ 5,7 milhões em MT
Alcino Barcelos é um dos alvos de 12 ordens judiciais cumpridas em Pontes e Lacerda; investigação apura suspeitas de fraude em licitações, lavagem de dinheiro e associação criminosa.
24HorasMT
O ex-prefeito de Pontes e Lacerda, Alcino Pereira Barcelos (PL), candidato a deputado estadual nas eleições de 2026, é um dos alvos de uma operação deflagrada pelo Núcleo de Ações de Competência Originária (Naco), do Ministério Público de Mato Grosso (MPMT), nesta sexta-feira (25). Ao todo, são cumpridas 12 ordens judiciais contra agentes públicos e pessoas ligadas à iniciativa privada.
A investigação apura possíveis crimes de fraude em licitações, lavagem de dinheiro e associação criminosa relacionados a contratos firmados pela Prefeitura de Pontes e Lacerda entre 2017 e 2024. Segundo o Ministério Público, há indícios de possível favorecimento à empresa Concretubos Pré-Moldados Ltda.
No caso de Alcino, a Justiça autorizou o cumprimento de mandado de busca e apreensão. A operação também alcança empresários e outros agentes públicos relacionados às contratações investigadas.
Contratos investigados passam de R$ 5,7 milhões
De acordo com a investigação, foram identificados sete contratos entre a Concretubos e a administração municipal. Cinco deles foram celebrados entre 2022 e 2023 e somaram aproximadamente R$ 4,7 milhões em valores da época.
Com a atualização monetária, o montante chega a cerca de R$ 5,78 milhões. O Naco apura se houve direcionamento ou favorecimento da empresa nos processos de contratação.
Além dos contratos, os investigadores identificaram possíveis relações familiares, empresariais e funcionais entre pessoas ligadas à administração pública e particulares envolvidos nos negócios.
Relatórios do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) também apontaram movimentações financeiras consideradas suspeitas e que passaram a integrar o conjunto de elementos analisados na investigação.
Fazenda teria sido negociada por 100 cabeças de gado
Outro ponto que chamou a atenção dos investigadores foi a negociação de uma propriedade rural denominada Estância Rancho Fundo I, atribuída ao ex-prefeito.
Conforme a apuração, a compra teria sido negociada mediante o pagamento com 100 cabeças de gado da raça Nelore. No entanto, os investigadores não localizaram registros oficiais de movimentação pecuária compatíveis com a quantidade de animais que teria sido utilizada na negociação.
A suspeita, segundo informações divulgadas sobre a operação, é de que a aquisição da propriedade possa ter relação com recursos de origem ilícita investigados no procedimento. A hipótese ainda é objeto de investigação e não representa conclusão sobre eventual responsabilidade criminal do ex-prefeito.
Busca, quebra de sigilos e bloqueio de bens
Além das buscas e apreensões, as medidas autorizadas judicialmente incluem acesso a dados telemáticos e quebra dos sigilos bancário, fiscal e financeiro dos investigados.
Também foi determinada a indisponibilidade de bens, direitos e valores, como forma de preservar eventual ressarcimento caso sejam comprovados prejuízos aos cofres públicos.
A operação conta com apoio da Polícia Civil de Mato Grosso (PJC) e da Controladoria-Geral do Estado (CGE).
Candidato a deputado estadual
Alcino Barcelos disputa uma vaga na Assembleia Legislativa de Mato Grosso pelo PL, com o número 22123. O registro de candidatura consta como deferido pela Justiça Eleitoral.
Dados eleitorais consultados mostram que Alcino declarou R$ 19,23 milhões em bens à Justiça Eleitoral em 2026, incluindo propriedades rurais, imóveis, veículos e semoventes.
















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