Pesquisadora faz vaquinha para bancar parte do doutorado e vira chacota nas redes: 'É a realidade da ciência no país'

Pesquisadora faz vaquinha para bancar parte do doutorado e vira chacota nas redes: 'É a realidade da ciência no país'

Vaquinha para bancar parte de doutorado repercute nas redes sociais Uma pesquisadora da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) virou alvo de chacota nas redes sociais depois de pedir ajuda financeira para bancar a emissão de um visto para um doutorado sanduíche — quando parte da pesquisa é feita em uma universidade estrangeira.

Talita Motta Beneli, doutoranda em ecologia, foi aprovada para uma temporada de pesquisa em uma universidade na Austrália e finalização do doutorado no Brasil.

O visto exigido pela universidade em que ela foi aprovada, no entanto, só pode ser emitido por meio de uma agência particular, e esse custo não estava entre as demandas cobertas pela Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes).

Pesquisadora fez vaquinha para pagar visto de bolsa aprovada para doutorado na Austrália e foi alvo de deboche Arquivo Pessoal Sem essa verba, ela recorreu a uma vaquinha online para arrecadar R$ 8 mil e pagar pelo processo.

Com uma rede social fechada, de menos de mil seguidores, ela compartilhou o link com uma influenciadora que acompanha e que tem alguns milhões de seguidores nas redes sociais.

Horas depois, viu sua situação — sem ser identificada nominalmente — se transformar em assunto de um vídeo em que a influenciadora criticava quem pede vaquinha para "financiar sonhos", atraindo uma onda de ofensas nos comentários.

As pessoas começaram a me xingar de vagabunda, falar que eu tinha que ir trabalhar, que eu era preguiçosa, sem nem mesmo saber o que estava acontecendo.

É muito triste mesmo que um pesquisador tenha que se expor a esse tipo de situação, mas isso não acontece porque a gente quer, e sim porque essa é a realidade da ciência no país.